sexta-feira, 29 de abril de 2022

Você Conhece O Livro DE NATURA FLORUM De Clarice Lispector?



Eu não conhecia e fiquei encantada demais quando ele veio parar na minha mão.

Estava fazendo uma visitinha despretensiosa na Livraria, ou fingindo fazer, quando puxei um livro aleatório de uma prateleira qualquer. Não conheço todos os livros publicados de Clarice Lispector, embora seja grande fã, quando vi este livro fininho, com pequenos verbetes, todos eles sobre flores, fiquei surpresa e apaixonada na hora. 

Mais apaixonada do que o normal em se tratando da Clarice L. porque todos os verbetes são ilustrados com desenhos encantadores da espanhola Elena Odriozola - cujo trabalho fiquei conhecendo naquele momento - fazendo os olhos do leitor viajar entre as palavras, as formas e cores, agraciando os sentidos.

Nas palavras da escritora Marina Colasanti na contracapa do livro: "Clarice partiu de verbetes de algum dicionário floral que lhe caiu nas mãos, e aos poucos foi se aquecendo, entrando nos perfumes e no jogo por ela mesma proposto. (...) Clarice sempre quis ser flor, como demonstra ao dizer "Suportando com desenvolta amargura as minhas pernas compridas e os sapatos sempre cambaios, humilhada por não ser uma flor..."E graças a sua escrita, absolutamente inigualável, o conseguiu."

Se você ficou um pouquinho curiosa, olha isso que lindo:

Crisântemo

É de alegria profunda
Fala através da cor e do despenteado
É flor que descabeladamente controla
A própria selvageria.


quinta-feira, 28 de abril de 2022

Oferenda



A minha oitava tatuagem foi feita algumas semanas atrás 

fisgada pela palavra de uma curandeira mexicana não pude fazer nada 

não posso conviver com a expectativa do mal agouro por passar indiferente 

Se você estiver no clima segue a oração para a sua própria apreciação:

"Cure-se com a luz do sol e os raios da lua

Ao som do rio e da cascata 

Com o balanço do mar e o bajulamento dos pássaros

Cure-se com menta e eucalipto

Adoce com lavanda, alecrim e camomila

Abrace-se com o feijão de cacau e uma pitada de canela

Coloque amor no chá em vez de açúcar e beba olhando para as estrelas

Cure-se com os beijos que o vento te dá e os abraços da chuva

Fique forte com os pés descalços no chão e com tudo o que vem dele

Seja cada dia mais inteligente ouvindo a sua intuição, olhando o mundo com a testa

Pule, dance, cante, para que você viva mais feliz

Cure-se a si mesmo, com amor bonito, e lembre-se sempre... você é o remédio".

...

Quem desenhou tatuou e fotografou a minha oferenda pessoal de camomila, lavanda e alecrim foi a Maria.


quarta-feira, 20 de abril de 2022

Dias de Abandono - Elena Ferrante






"Não sei se a reconheci imediatamente. Senti só algo como um soco no peito. Talvez tivesse percebido antes que era muito jovem, tão jovem que Mario, a seu lado, parecia um homem velho. Ou talvez tenha notado nela, antes de tudo, o vestido azul de material leve, um vestido fora de moda, daqueles que se compram nas lojas de roupas usadas de luxo, distante da sua juventude, mas macio sobre o seu corpo de ondas leves, a onda longa do pescoço, os seios, o quadril, o tornozelo. Ou talvez tenha me chamado a atenção o cabelo loiro preso sobre a nuca, volumoso e preso com um pente, uma mancha hipnótica. Eu não sei mesmo." (página 66)

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"Tudo era casual. Apaixonei-me por Mário quando jovem, mas poderia ter me apaixonado por qualquer um, um corpo qualquer ao qual atribuímos sabe-se lá quais significados. Um longo pedaço de vida juntos, e você já acredita que ele é o único homem com quem pode se sentir bem, atribui-lhe sabe-se lá quais virtudes decisivas, e em vez disso ele é só uma flauta que emite sons de falsidade, você não sabe realmente quem é, nem ele mesmo. Somos ocasiões." (página 70)

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"Eu, que até quatro meses atrás era só ambrosia e néctar. No momento em que me apaixonei por Mário, comecei a temer que se enjoasse de mim. Lavar o corpo, desodorizá-lo, apagar todos os vestígios desagradáveis da fisiologia. Levitar. Queria sair do chão, queria me visse suspensa em equilíbrio, elevada, como acontece com as coisas integralmente boas. Eu não saia do banheiro até que desaparecesse o mal cheiro, abria a torneira para que não ouvisse o barulho da urina. Esfregava-me, aparava, lavava o cabelo a cada dois dias. Pensava a beleza como um esforço constante de apagamento da corporalidade. Queria que amasse meu corpo esquecendo o sabor que carregam os corpos. A beleza, eu pensava ansiosamente, é esse esquecimento. Ou talvez não. talvez tenha sido eu que tenha acreditado que o amor dele precisasse daquela minha obsessão." (página 93)




terça-feira, 12 de abril de 2022

Oi
























Oi, eu sou a Roberta. Escrevo umas coisinhas aqui outras ali porque esse é o único jeito de fazer a coisa funcionar.

Fique à vontade para falar coisinhas comigo.

Com amor, R