Vale a pena correr o olho pelas próximas linhas e perder o ar por um instante.
“Affirmation”
by Assata Shakur
Vale a pena correr o olho pelas próximas linhas e perder o ar por um instante.
“Affirmation”
by Assata Shakur
tem dia que a palavra não desloca até o dedo
para todos os outros existe os últimos
ferozes alucinados meio zen
os esperançosos de toda manhã
os seres estranhos do reino
o maluco beleza da sociedade alternativa
cavucando dentro do corpo do porco a fim de encontrá-la
e mesmo quando não a encontra inventa
passa um café come um pão de queijo
como quem não espera nada e
de súbito ela aparece em espiral, cheirosa e graciosa
transformando o vazio em algo
é isso que os últimos poetas fazem para sobreviver
de um jeito ou de outro colocar no mundo
um mundo que não existia até então
uma justificativa injustificável
é disso que falam o tempo todo
doce de figo geléia de jabuticaba
como se fosse francesa falando palavras novas
mas é a lingua de sempre com sotaque esquisito
não tem cura mãe do céu
.
.
imagem via
Já era de noitinha a boca da noite me disse senta um pouquinho Roberta conta pra nós o teu conto. Um canto em Veneza não teria o mesmo verso apalpado dessa conversa de um lado só
Porque serei agora entrevistada de mim mesma
Deixei que as palavras encruadas fossem levadas para a embocadura mais estreita do funil e me deixasse apenas com uma minhoca comida à espreita pela traíra mais safada da represa toda. As capivaras que não cruzaram o meu caminho possivelmente viram tudo, deixaram rastro, cada bolinha, uma a uma, sendo posta à fora
Inspirada por Paulo e Pedro preciso comunicar a boa nova o objetivo de tudo isso é amar como as maritacas, estridentemente. Eis aqui uma nova ave rara. Um novo estilo de gritar
Fiquei sabendo agora que São Pedro é o porteiro zelador do céu doutor das gentes. Pois que São Pedro me ajude com o espinho do dedo e o mistério do amor redimido. Em nome dela sereia metade mulher metade peixa, Iara, leve meu conto para as profundezas das águas claras. Bendita seja.
Naquela mesma noite faltou luz calcei minhas sandálias acendi a lanterna e fui pra casa o anjo me disse que era realidade o que estava vivendo, pois pensava como criação nova que aquilo poderia ser uma visão. De todos os temores me livrou o anjo. Da feiura e da vergonha agora estou livre. Olhe a minha face descoberta, livre de toda angústia. Justamente quando já estava para ser derramada em sacrifício, escuto a voz de Paulo
“Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”
Posso enfim me arrumar tranquilamente com os adornos do meu gosto justiça seja feita. O anjo não saiu do meu lado nem para um xixi, me deu força e permitiu que algumas palavras por mim fossem ditas - e ouvidas por alguns ouvidos. Na última hora fui libertada.
O azul do céu hoje está impiedoso, pergunto, mãe, isso é um sinal?
Pedra é feminino de Pedro e eu nunca tinha pensado nisso Manina é o nome da vaca que não pode gestar - quanta novidade me acometeu nas férias de Julho de 2025. Jamais esquecerei do cheiro doce do pasto que banhava a represa e guardava a gruta. Uma região sem portas para o inferno
Sou feliz. Sou também filha da Lísia. E quem me disse isso não foi nenhum ser humano
O anjo disse no primeiro dia das férias me cabe no entanto gravar na pedra e construir a minha casa. Tenho comigo as chaves do reino. Todo amor na terra será duas vezes amor no céu. O Meu Paraíso tinhas as porteiras trancadas para os sequestradores não entrarem mas disseram que os sequestradores temem a nós, da baixada fluminense, confiam na vossa misericórdia.
Uai, eles disseram. E abriram as portas do paraíso. Nada me tira mais daqui.
Fulano está seguindo você
Fulano está on line
Fulano bloqueou você
Fulano visualizou e não respondeu
Fulano apagou as mensagens
Fulano enviou coração fogo gratidão
Fulano deixou de seguir você
Eu gostava quando o telefone tocava
Atendia Alô
Não era trote
(Era o fulano)
.
.
Mas é claro que usaria um desse
Não há sábado sem sol
Domingo sem missa
Segunda sem preguiça
... e disse ainda
Aonde tá o homem tá o perigo