Nada mais conheço além da palavra e quando a pronuncio tenho certeza que me sai qualquer dialeto incompreensível. Tenho ganas de atracá-la com os dentes ou talvez lamber. Fico torcendo para que ela me mostre o caminho à despeito do meu próprio senso de direção.
Sinto a palavra desejo viva e livre.
Um beijo calado tocando a periferia do lábio.
Pareço estupefata, sem saber ao certo quem ela seria, de qualquer maneira me limito a sintetizar a mensagem. Estou particularmente irrequieta estes dias, tenho uma cidade nova. E já tem um tempo que antes de sair de casa me empenho diante do espelho falando de coisas simples, me penteando e vestindo exatamente como me sinto.
Inconfundida a um ponto íntimo de percepção.
Contrariando a regra, pego a caneta mesmo antes de estar inteiramente preparada. É necessário uma dose extra de ingenuidade para lançar a cabeça no vazio. Os escritores fazem isso. Um homem normal certamente pensa com cautela e precisão. O escritor afirma que na sua ausência todas as palavras deixam de existir, o chão deixa de existir, e depois, miraculosamente, ressurgem, escapadas da terra. Quando estava distraída vi uma palavra como deus travesseiro nuvem anjo tal como meu pensamento.
Eu as adoro.
Adeus, não.
Nada mais será criado dentro dessas linhas, não somente os detalhes mas tudo
, apenas revelado.
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