terça-feira, 14 de abril de 2026

Em Silêncio

Se tivesse que escolher entre duas dores

para conviver com uma delas 

para o resto da vida

Escolheria a dor de amar

do que a dor de não amar

Para a dor de amar poderia escrever em letrinhas articuladas

sobre uma folha de papel com meus próprios dedos

O que há de mais belo

Não amar não me valeria a dor em nada

Seria como ler um livro do idioma japonês

Estou no escritório

varrido pelas asas de milhares de aleluias criando a primavera

Além de mim vejo aqui outra mulher

Mas nada posso dizer sobre o destino

A rainha de copas me olha sapiente

A sala em pleno recital

Todos sabemos que o amor move o mundo

- não há o que demova gente que tem amor no coração

Amar não é fácil não seria fácil

Em qualquer cidade do mundo agora existe um amor

com nome e cara de amor

Em silêncio dentro de um carro

Sou capaz de confundi-los todos

a obra a mesa o café o cabelo

espaguete a bolonhesa

chá de carqueja com hortelã

a alegria a música

árvore janela

E num dia como hoje descubro que o que realmente quero

é ser beijada no cangote como amor e ganas

falar palavras que nunca falei

me janta

me fode

me joga no mar

com ternura e olhar perdido passeando pela intimidade alheia

O lábio inchado de ânsia e palavras amalgamadas

finalmente descansa em paz

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