Se tivesse que escolher entre duas dores
para conviver com uma delas
para o resto da vida
Escolheria a dor de amar
do que a dor de não amar
Para a dor de amar poderia escrever em letrinhas articuladas
sobre uma folha de papel com meus próprios dedos
O que há de mais belo
Não amar não me valeria a dor em nada
Seria como ler um livro do idioma japonês
Estou no escritório
varrido pelas asas de milhares de aleluias criando a primavera
Além de mim vejo aqui outra mulher
Mas nada posso dizer sobre o destino
A rainha de copas me olha sapiente
A sala em pleno recital
Todos sabemos que o amor move o mundo
- não há o que demova gente que tem amor no coração
Amar não é fácil não seria fácil
Em qualquer cidade do mundo agora existe um amor
com nome e cara de amor
Em silêncio dentro de um carro
Sou capaz de confundi-los todos
a obra a mesa o café o cabelo
espaguete a bolonhesa
chá de carqueja com hortelã
a alegria a música
árvore janela
E num dia como hoje descubro que o que realmente quero
é ser beijada no cangote como amor e ganas
falar palavras que nunca falei
me janta
me fode
me joga no mar
com ternura e olhar perdido passeando pela intimidade alheia
O lábio inchado de ânsia e palavras amalgamadas
finalmente descansa em paz
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