quarta-feira, 17 de junho de 2026

Como Se Nada Fosse

Nunca falta alguém que faça um comentário

bem intencionado em algum lugar entre

a fita cassete

o compact disc a saudade

o romance sim, 

dá pra notar que sente saudade

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sábado, 13 de junho de 2026

As Pequenas Coisas Santas

era uma vez o segundo coração

o picolé de limão com melissa

o passo todo dia do lampejo tenso

os livros ah os livros

não conquistam tantos devotos como antigamente

a palavra pássaro

enorme

voando ao redor do teu corpo

a explosão de água e sol

para lhe dar um último beijo de despedida

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Já Não Sei Os Versos Belos

Algo aqui me chama a atenção

Aqui é mania de falar

Aqui

Aqui

Não importa quantas vezes isso complica

Perdi o jeito de escrever sobre qualquer coisa

Pode ser a geografia

A terra beijando o céu

Não

Não pode ser

Estou perdida no tempo verbal

Na teoria revelada dentro dela

O caminho da porta está a minha esquerda

A cozinha à direita

Escrever à mão demora

O reflexo da luz perpassa a taça de vinho

Trazendo para o papel uma água viva cintilante

Vivinha e dançante

Tenho o ímpeto de segui-la

Tento agarrá-la com uma frase a mais

Descabida como langostinos

Preciso de um amor urgente

Para me guardar do vexame público

De agonizar dentro de um poema

Não fosse viva a água

Querendo me comer ou me queimar

Diria que tudo não passou de um chiste

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Me chamou a bailar me trouxe uma caneca colossal de café con leche me serviu tomates tostados à perfeição me disse marmelada ensalada de frutas manteca y pan a toalha de mesa xadrez me faria uma saia bem linda Deus meu! sonhei com você esta noche preciso contarte la fofoca esta

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sexta-feira, 12 de junho de 2026

O Santo Agostinho Me Disse

Que é, pois, o tempo?

Se ninguém me perguntar, eu sei;

Mas se quiser explicar a quem me pergunta, não sei

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ALERTA DAS URSAS

NÃO EXISTE MAIS NENHUMA PALAVRA NO MUNDO

O MUNDO MORREU A MORTE DA PALAVRA ROSA

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EU LHE ESCREVERIA ALGUMA COISA SOBRE ISSO

MAS VOCÊ NÃO ENTENDE A PALAVRA ESCURA MAIS DENSA

OU SABIAMENTE SE PASSA POR MORTO

E É AÍ QUE ESTÁ O PROBLEMA QUE ME RETÉM

O TEMPO ESTÁ PASSANDO

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SE ME METO A ESCREVER POESIA DESSE JEITO

É SOMENTE PORQUE TE DESDENHO

E TODOS OS DIAS NÃO SOU POUPADA 

DO TERROR DE NÃO TE VER ENVELHECER

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O INVERNO EM BELO HORIZONTE NÃO ME POUPA DA FANTASIA

ESTAMOS ENTERRADOS VIVOS ENTRE AS MONTANHAS 

O QUE ME FAZ ACREDITAR QUE TUDO É POSSÍVEL

E É

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EU PODERIA NÃO DIZER ESSAS TOLICES TODAS

MAS DIGO PORQUE SOU POETA FRIORENTA

A VÓ IRENE NO FRIO DIZIA INTEIRA E ROSADA

(EM CAMPO BELO NA SUA CASA FRIGORÍFICA)

A BAIXA TEMPERATURA MANTÉM A CARNE VIVA 

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ERRADA A VÓ NUM TÁ 

PELO VISTO O INVERNO PÕE MESMO EM TUDO

O SEU ALENTO DE FINA BELEZA

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