*
Não é porque ele é bonito, Nelly, mas porque ele é mais eu mesma do que eu sou.
De qualquer matéria que sejam feitas as nossas almas, a dele e a minha são iguais.
- Emily Bronte, O Morro dos Ventos Uivantes (1847).
*
Não é porque ele é bonito, Nelly, mas porque ele é mais eu mesma do que eu sou.
De qualquer matéria que sejam feitas as nossas almas, a dele e a minha são iguais.
- Emily Bronte, O Morro dos Ventos Uivantes (1847).
A panela de pressão no talo cozinhando feijão pro almoço
O rádio chiando no quartinho alto era a voz dele
O carro de som anunciando a festa no clube no sábado
O telefone clamando sem parar um minuto o que o tempo não pode consertar
Ro beeeeeeeeer ta
Mãe do silêncio e da humildade, tu vives perdida e encontrada no mar sem fundo do mistério do Senhor. Tu és disponibilidade e receptividade. Tu és fecundidade e plenitude. Tu és atenção e solicitude pelos irmãos. Estás revestida de fortaleza. Resplandecem em ti a maturidade humana e a elegância espiritual. Es senhora de ti mesma antes de ser Nossa Senhora.
Em Ti não existe dispersão. Em um ato simples e total, tua alma, toda imóvel, está paralisada e identificada com o Senhor. Estás dentro de Deus, e Deus dentro de ti. O mistério total te envolve, penetra e possui, ocupa e entrega todo o teu ser.
Parece que em Ti tudo ficou parado, tudo se identificou contigo: o tempo, o espaço, a palavra, a música, o silêncio, a mulher, Deus. Tudo ficou assumido em Ti, e divinizado.
Jamais se viu figura humana de tamanha doçura, nem se voltará a ver nesta terra uma mulher tão inefavelmente evocadora.
Teu silêncio não é ausência mas presença. Estás abismada no Senhor e ao mesmo tempo atenta aos irmãos, como em Caná. A comunicação nunca é tão profunda quando como quando não se diz nada e o silêncio nunca é tão eloquente como quando nada se comunica. Faz-nos compreender que o silêncio não é desinteresse pelos irmãos mas fonte de energia e de irradiação.
Não é encolhimento mas projeção. Faz-nos compreender que para derramar é preciso preencher-se. Afoga-se o mundo no mar da dispersão e não é possível amar os irmãos com um coração disperso. Faz-nos compreender que o apostolado sem silêncio é alienação, e que o silêncio sem apostolado é comodidade. Envolve-nos em teu manto de silêncio e comunica-nos a fortaleza de tua fé, a altura de tua esperança e a profundidade do teu amor.
Fica com os que ficam e vem com os que partem, ó Mãe Admirável do Silêncio!
Amém
O único jeito de não enlouquecer fatalmente
É enlouquecer um pouco a cada dia
Sem movimentos agitados
A loucura diária precisa de pausas e permissões
Enlouquecer devagarzinho até virar um doce de leite
.
.
.
----------