Deixe de lado os amores, somos só nós dois
O cheiro e o gosto
O cheiro é azul e lentamente vai se espalhando pela casa
Uma espiral de passado, histórias, fumaça, menstruação, fogo, o que está aqui
A presença imaculada de certezas que cheiram a bergamota e cravo
Estamos eu e você. A casa é toda sua
Me assombro com a força brutal do teu amor para no segundo seguinte sucumbir ao pânico do medo solitário
Certa vez perguntaram como seria a vida contigo
Um conto de fadas talhado na confiança em linha reta rumo ao céu
Posso estar enganada, sim, posso
Posso contar essa história de boca fechada e ainda linda
Posso enfeitar de quadros e cheiros cada frase encantada do caminho apertadinho que seguira
Antes de estourar na praia
No entanto, se não estiver enganada
Se as batidas do meu coração estiverem em compasso com o seu
Não terei medo em mergulhar
Em segredo em mar aberto para te encontrar
De noite na praia você e eu
E o mar escuro
E o céu escuro
A areia escura e a lua
E então viverei teu pranto
Uma quantidade vexatória de arrepios percorrem meu corpo que ameaça explodir
A cada novo fluxo de ar entrando e saindo
Um movimento forçoso de regulação que me faz entregar a metade
O inteiro o prazer
A espera
A espera
A espera
Somos somente nós dois
Era isso o que Tu querias
Era isso o que mais temia
Estar a sós contigo e não saber o que dizer
Sofrer um ataque súbito de timidez e ouvir de você que minha voz é tão grossa
Que minhas palavras tão parcas
Meu sorriso sem luz
Meus olhos afogados em raízes maltratadas
Temia te receber e ficar desajeitada
Como sempre fico, incapaz de temperar um vinagrete
Sua força tamanha pergunto-me de onde virá o passo para te acompanhar
A caneta sumiu ele sumiu ela sumiu mas não sumimos nós
Você veio de azul confiante me encontrou aqui
Se tivesse sol entregaria a face em súplica
É cinza como a cinza este sábado
Tomamos um café por certo
Tantas foram as suas palavras, se uma, a mais bela de todas, tu me pedisse para repetir
(preciso pensar um pouco vasculhar a caixa de memórias)
Volta Pra Casa
- forte e decidida obrigando-me a tomar decisões sérias desconsiderando o temperamento do mundo
O que vejo diante dos olhos não vejo quando os fecho
Para onde deveria te encontrar
Contei de ti de nós
Temos agora um olhar observador olhando-nos com olhos escamados
Tentando interpretar as parábolas inconclusas ditas na noite ordinária dentro de casa
Será lembrado tudo o que disseste em voz alta para que pudessem ouvir
e saber
Como a vida acontece longe daqui
Quando quiser vir venha
Te preparo um café misturado de tantos grãos teu juízo se perderá e nunca mais deixará esta casa
Um pão francês com alecrim besuntado de manteiga com cristais de sal
Te contarei de pé na cozinha uma história triste feliz
de tudo o que aconteceu
Para que tu saibas de amor
E depois receberei o seu abraço enorme, pelando, para finalmente te olhar nos olhos
E te sorrir o teu sorriso
espelhado limpidamente nas águas mais puras do mundo a que ninguém escapará
A dizer teu nome
Espírito Santo De Deus
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