Andava com um pouco de vertigem
Antes de tomar o floral
Focada demais na dor indizível de odiar-me
Na enorme confusão de ser o que me esperar ser
Todo dia passo a mão no rosto como que saindo de um sono de pedra
Os dedos se demoram no queixo redescobrindo a nova trajetória
até chegar no lábio superior
Tento recordar de antes mas desisto
Um lamento a mais um lamento a menos não muda o destino
Eram outros tempos
A vida corria no limiar da saudade
correndo o risco de dobrar de volume nas demonstrações invisíveis
Não era tão grave
Era saudade
Em geral, tomava cuidado para não sentir esse tipo de indelicadeza
Tenho que esperar segunda-feira
A perspectiva de tudo o que pode acontecer me excita
como algo longamente gestado
como se a verdade de freud ganhasse impulso
Depois de uma tarde longuíssima de faxina
aspirar passar lavar quem sou eu?
E olhar no espelho ainda em espanto
As sete da noite abri o caderno
Havia uma pessoa que não gosto mais agora que todo mundo gosta
Fui ao seu encontro para ler de pé:
Quando chegar o momento vou beijar seus olhos
Já te disse isso antes?
Na dúvida repito
Quando chegar o momento vou beijar cada um de seus olhos
O terceiro primeiro
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