(escrever à mão para enlouquecer pequenininho)
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O papel está em cima da mesa
Faço margens e linhas coloco um pouquinho de água
Só um pouquinho, no potinho de tinta
Com a espátula encardida de plástico mexo até dissolver as bolinhas de tinta
Escolho o pincelFaço testesA mão despedaça
Estremece lá fora o mundo fascinante
A respiração se agita as margens restritas as linhas balançam
Escrever à mão não leva ninguém a lugar algum
Escrevo para não sair do lugar, inutilmente tentar pegar o que acontece
Escrevo a mão para desenhar repetidamente coisinhas miúdas. Tremer. De frio
Emoção. A mente começa a tremer de repente
O pincel muito fino
A forma sofrimento
Redesenhar espaços de cabência para coisinhas atrevidinhas
Apagar as marcas
Romper as margensEngolir as linhasRespirar com a barriga
Rezar
Avolumar o trabalho do respiroAumentar a extensão da fé
Tornar memorável o branco do papel, o branco da vertigem
Mais uma tintinha, mais um cadinho de águas, mais uma mexidinha
Pincel grosso de modo que as palavras seguissem umas às outras
Soa o apito. Cuidara tanto para que não explodisse, nada parecia ter se movido
A mão Semi duraArespiração Semi cortadaA boca Semi sorridente
Os traços pequeninos ocupam espaço a passos de tartaruguinha
Mergulho o pincel na tinta uma vez, duas vezes, vinte e cinco vezes
RepetiçãoExpiração
Se com as mãos eu vestisse as tuas palavrasTal se tornariam verdade
Olho de perto de longe de perto de longe - de amor e revolta
Um corpo palavreado estático bem na minha frente
Fatos irredutíveis
Escrevo a mão feito doida para ampliar a coisa humana menor que existe
Feito doida sinto o estrondo da eternidade desenhada
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