quarta-feira, 26 de agosto de 2026

O Paulo Me Disse

Que o Senhor da paz

ele próprio 

vos dê a paz, sempre e em toda parte 

O Senhor esteja com todos vós

Esta saudação é de meu próprio punho

de Paulo

Assim é que assino todas as minhas cartas; é a minha letra 

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos nós

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Palavra do Senhor

terça-feira, 18 de agosto de 2026

A Elegância Do Ouriço

 


"Se quiser se cuidar
Cuide
Dos outros
E sorria ou chore
Por essa feliz reviravolta do destino"

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"A literatura, por exemplo, tem uma função pragmática. Como toda forma de arte, tem a missão de tornar suportável a realização de nossos deveres vitais. Para uma criatura que, como o humano, molda seu destino da base da reflexão e da reflexividade, o conhecimento que daí decorre tem o caráter insuportável de toda lucidez nua. Sabemos que somos animais dotados de uma arma de sobrevivência, e não deuses moldando o mundo com seu pensamento próprio, e é preciso algo para que essa sagacidade se torne tolerável, algo que nos salve da triste e eterna febre dos destinos biológicos. Então, inventamos  arte, esse outro processo dos animais que somos, a fim de que nossa espécie sobreviva."

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"A Sra Michel tem a elegância do ouriço: por fora é crivada de espinhos, uma verdadeira fortaleza, mas tenho a intuição de que dentro é tão simplesmente requintada quanto os ouriços, que são uns bichinhos falsamente indolentes, ferozmente solitários e terrivelmente elegantes."

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"Aí vai, portanto, meu pensamento profundo do dia: é a primeira vez que encontro alguém que procura as pessoas e que vê além. Isso pode parecer trivial, mas acho, mesmo assim, que é profundo. Nunca vemos além de nossas certezas e, mais grave ainda, renunciamos ao encontro, apenas encontramos a nós mesmos sem nos reconhecer nesses espelhos permanentes. Se nos déssemos conta, se tomássemos consciência do fato de que sempre olhamos apenas para nós mesmos no outro, que estamos sozinhos no deserto, enlouqueceríamos. Quando minha mãe oferece petis-fours da casa Ladurèe à sra Broglie, conta a si mesma a história de sua vida e apenas mordisca seu próprio sabor; quando papai toma café e lê jornal, contempla-se num espelho do gênero manual de autoconvencimento, quando Colombe fala das aulas de Marian, deblatera sobre seu próprio reflexo, e, quando as pessoas passam diante da concierge, só veem o vazio porque ali não se reconhecem. De meu lado, suplico ao destino que me conceda a chance de ver além de mim mesma e encontrar alguém."

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A Elegância do Ouriço de Muriel Barbery
Tradução: Rosa Freire D'Aguiar
Companhia das Letras 2018


segunda-feira, 17 de agosto de 2026

A Guerra

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- Quem estará nas trincheiras ao teu lado?

- E isso importa?

- Mais do que a própria guerra.

Ernest Hemingway

Você Vive No Mundo Da Fantasia Feliz Nele

Deixe de lado os amores, somos só nós dois

O cheiro e o gosto

O cheiro é azul e lentamente vai se espalhando pela casa

Uma espiral de passado, histórias, fumaça, menstruação, fogo, o que está aqui

A presença imaculada de certezas que cheiram a bergamota e cravo

Estamos eu e você. A casa é toda sua

Me assombro com a força brutal do teu amor para no segundo seguinte sucumbir ao pânico do medo solitário 

Certa vez perguntaram como seria a vida contigo

Um conto de fadas talhado na confiança em linha reta rumo ao céu

Posso estar enganada, sim, posso

Posso contar essa história de boca fechada e ainda linda

Posso enfeitar de quadros e cheiros cada frase encantada do caminho apertadinho que seguira

Antes de estourar na praia

No entanto, se não estiver enganada

Se as batidas do meu coração estiverem em compasso com o seu

Não terei medo em mergulhar

Em segredo em mar aberto para te encontrar

De noite na praia você e eu

E o mar escuro

E o céu escuro

A areia escura e a lua

E então viverei teu pranto

Uma quantidade vexatória de arrepios percorrem meu corpo que ameaça explodir

A cada novo fluxo de ar entrando e saindo

Um movimento forçoso de regulação que me faz entregar a metade

O inteiro o prazer

A espera 

A espera

A espera

Somos somente nós dois

Era isso o que Tu querias

Era isso o que mais temia

Estar a sós contigo e não saber o que dizer

Sofrer um ataque súbito de timidez e ouvir de você que minha voz é tão grossa

Que minhas palavras tão parcas

Meu sorriso sem luz

Meus olhos afogados em raízes maltratadas

Temia te receber e ficar desajeitada

Como sempre fico, incapaz de temperar um vinagrete

Sua força tamanha pergunto-me de onde virá o passo para te acompanhar

A caneta sumiu ele sumiu ela sumiu mas não sumimos nós

Você veio de azul confiante me encontrou aqui

Se tivesse sol entregaria a face em súplica

É cinza como a cinza este sábado

Tomamos um café por certo

Tantas foram as suas palavras, se uma, a mais bela de todas, tu me pedisse para repetir

(preciso pensar um pouco vasculhar a caixa de memórias)

Volta Pra Casa

- forte e decidida obrigando-me a tomar decisões sérias desconsiderando o temperamento do mundo

O que vejo diante dos olhos não vejo quando os fecho

Para onde deveria te encontrar

Contei de ti de nós

Temos agora um olhar observador olhando-nos com olhos escamados

Tentando interpretar as parábolas inconclusas ditas na noite ordinária dentro de casa

Será lembrado tudo o que disseste em voz alta para que pudessem ouvir

e saber

Como a vida acontece longe daqui

Quando quiser vir venha

Te preparo um café misturado de tantos grãos teu juízo se perderá e nunca mais deixará esta casa

Um pão francês com alecrim besuntado de manteiga com cristais de sal 

Te contarei de pé na cozinha uma história triste feliz

de tudo o que aconteceu

Para que tu saibas de amor

E depois receberei o seu abraço enorme, pelando, para finalmente te olhar nos olhos

E te sorrir o teu sorriso

espelhado limpidamente nas águas mais puras do mundo a que ninguém escapará

A dizer teu nome

Espírito Santo De Deus

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quarta-feira, 12 de agosto de 2026

A Coleção Cara Pálida de Russel Herron






"500 Cardboards Portraits" é uma série de carinhas rasgadas ou recortadas em papelão ondulado. 

O mais incrível de tudo isso é que parece fotografia. Tive certeza que era.

Mas não é não. 

São desenhos a lápis feitos pelo próprio artista. 

Clap! Clap! Clap!

Ora adoráveis carinhas ora assustadores, dando muito bem a entender o climão da emoção.

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(via)