Minhas maiores lembranças de Buenos Aires são das ruas por onde passei caminhando com o objetivo único de olhar
só olhar
olhar tudo e recalcular o passo
vai devagar, Roberta
olha de novo
olha direitinho
lembro bem do restaurante onde jantei duas noites seguidas e na segunda me senti filha da casa distribuindo um meio sorriso charmoso aos comparças como quem diz
me olha de novo
lembro da cafeteria que ficava em frente ao prédio que foi casa por alguns dias
onde tomei café de forma exagerada só pra fazer render a intimidade de um amor passageiro
Forcei amizade no sentido lúdico da coisa com um fotógrafo muito gente boa que além de ter registrado o meu espírito de mulher livre-nostálgica-solitária em Buenos Aires me levou ainda para conhecer lugarzinhos secretos bem do jeito que eu gosto
- aquele tipo de lugar que a gente não quer contar pra ninguém que existe porque as pessoas não vão dar o tamanho da importância que você dá para o detalhe escondido no imperceptível
não vão entender o que você entendeu
não vão sentir o que você sentiu
e vão no fim achar que você é um tipo doido por gostar das coisas que gosta
melhor ficar de boca calada e sair de fininho
Buenos Aires me tratou tão bem ao ponto de me fazer acreditar que acordaria de manhã no Brasil falando espanhol
Mas a pura verdade é que todas as experiências daquele ano tiveram o frescor bom das descobertas, como as boas conversas são, imagine uma conversa sobre religião, entre um católico e o outro ateu
tensa
mas não
com uma pitada de dedo de deus tudo faz sentido tem que fazer
Quando você se dá conta que é capaz de fazer muito como conquistar o mundo apenas com seu sonho de bater asas a sair voando
Ou quando você se vê sozinha, entre milhares de outras pessoas também sozinhas, e percebe o grande movimento que é feito no movimento de cada pequeno passo
O ano era 2017
Livre como uma passarinha





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