Minhas maiores lembranças são das ruas por onde passei caminhando com o objetivo único de olhar
olhar tudo só olhar olhar e perceber o que me forçava a apertar o passo ou diminui-lo
lembro bem do restaurante onde jantei duas noites seguidas e na segunda me senti filha da casa distribuindo um meio sorriso charmoso aos comparças
lembro da cafeteria que ficava em frente ao prédio onde tomei café de forma exagerada só pra fazer render a intimidade
Conheci um fotógrafo muito gente boa que além de ter registrado o meu espírito de mulher livre-nostálgica-solitária em Buenos Aires me levou para conhecer lugarzinhos secretos bem do jeito que eu gosto
Foi tudo tão bom ao ponto de me fazer acreditar que acordaria de manhã falando espanhol, mas a verdade é que todas as experiências daquele ano tiveram o frescor bom das descobertas, como se uma cortina se abrisse aos poucos e o segredo fosse finalmente revelado, ou quando você se dá conta de que é capaz de fazer muito mais para além do que o medo permite.
Ou quando você se vê sozinha, entre milhares de outras pessoas também sozinhas, e percebe o grande movimento que é feito no movimento de cada pequeno passo.
O ano era 2017 livre como uma passarinha.





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