Eu adoro how bizarre a inteligência artificial se manifesta no meu dia a dia, fico realmente surpresa
é uma arapuca atrás da outra, mas
pensando bem, pode ser que bizarre não seja the true word para o processamento de dados que está apenas fazendo o seu trabalho, de traduzir o comportamento humano para códigos, esses sim bizarros.
Mas
(e aqui merece mesmo outro mas)
gosto de achar bizarro porque não sou boba não nasci ontem tem muita surreal shit nesse pacote tecnólogico em 2024.
.
Lembro quando um amigo me contou a long time ago sobre a existência da intenção escondida dentro dos microfones dos smartphones - ahhh? Fui reticente em acreditar na sordidez dos interesses capitalistas por trás desse sequestro. Mas é claro que era verdade.
They wanted my soul. They took my soul.
Naquela ocasião ele me explicou que os microfones estavam ali para amplificar a voz do pensamento dos usuários - somehow os smartphones são realmente smarts - para em seguida fazer chover em todas as janelas digitais anúncios sobre a coisa que havia sido dita, pensada, whatever
Oh darling, marketing is such a thing, isn't it?
Acreditei na bizarrice, a palavra é essa mesmo, e continuo achando bizarro tudo o que vejo nessa corrida galopante tecnólogica, no entanto, tomei a decisão de também acreditar que toda coincidência artificial boa será tratada como mágica, e toda coincidência artificial ruim será tratada como lixo. O que me exige um esforço mental constante para filtrar o que entra na nuvem mágica e o que vai direto para o aterro.
It's a game. We have to play the game. You know I know.
.
Digo tudo isso como introdução, aquela parte do início de tudo, que pretende fazer um apanhado breve sobre o todo, envolver e despertar quem está aí do outro lado.
I love introduções!!
Fico sentida que o usuário contemporâneo não tenha tempo a perder com essa besteira do envolver e despertar, mas não me importo, vou seguir com introduções porque o meu coração é um apaixonado crônico.
.
Fato é que um dia desses aconteceu uma mágica. Em uma das centenas de vezes diárias em que pego o smartphone para resolver coisas ou simplesmente me dopar, eis que aparece no topo da timeline do google uma chamada que dizia assim, exatamente assim:
"Para Fatboy Slim, a cultura do Vip, com vodca cara e os celulares filmando tiraram um pouco da magia das festas."
Cliquei na hora. Vários gatilhos na mesma frase.
O assunto da entrevista era o retorno do DJ ao Brasil e sua relação de afetividade com esta terra. Entre relatos sobre etarismo, alcoolismo e festas - Normam Cook, the Fatboy, 60 anos, continua firme e sóbrio tocando em festas ao redor do mundo. Mas
o que atiçou a minha curiosodade e fez seguir no clique foi quando ele mencionou o DJ Fred Again. "É um ritmo diferente, acho que ele é a pessoa que faz a coisa mais diferente no momento."
clickclickclickclick
Não tive nenhuma dificuldade para encontrar Fred Again no iuiu tube, aparentemente muitas, muitas pessoas já conheciam o jovem britânico conforme pude averiguar rolando a timeline. Depois de alguns cliques, samples salpicados, fui parar em Londres, na edição do Boiler Room de exato 1 ano atrás. Dei um clique a mais como quem não quer nada
foi o bastante
.
Nos primeiros 3 minutos do vídeo ao ouvir as primeiras batidas e ver a reação das pessoas fiquei perdida
.
Antes de seguir pelas vielas inesperadas de Fred Again digo que não sou esperta em electronic music
i just like to hear what i like to hear
Sem nenhuma inteligência de minha parte, eu só sei ouvir. Agora, que a música eletrônica is all about beating your brain and body at the same time você sabe. Não é um gênero de fácil digestão, suas nuances digitais e tecnológicas podem deixar o indivíduo completamente sem saída, a não ser pegar o retorno de volta pra casa.
Fred Again got me crazy - e que maravilha que é ficar doida de música de vez em quando
Durante a uma hora e dez minutos de duração do set tive a plena convicção de ter visto o dia despertar debaixo de uma tenda enorme, numa praia da Grécia, o mar translúcido de backdrop, até cair exausta em um dos inúmeros sofás que contornavam a festa, para depois acordar na favela ouvindo um funk proibidão com a galera mais gente boa da quebrada, tomando cerveja quente no copo de plástico. Mas pera aí, na verdade estou numa fábrica abandonada no sul de Londres, lugar sombrio luz vermelha, temperatura cortante do lado de fora e fervendo por dentro, dançando de olhos fechados e suando o sovaco.
.
I'm 42 years old and thought my days of feeling euphoric about dance music were well past. Then I listened to this set and it was like being 21 again at Pacha. Incredible set, incredible man and now something is pulling me back to this scene. It's Fred Again - o amigo disse na plataforma de transmissão de vídeos.
Pacha: o mais emblemático night club de Ibiza, lugar onde também estive no minuto quarenta e três do set, ah que delícia o verão de Ibiza, somente quem já esteve pode relatar, o que não é o meu caso.
Let's sonhar!
.
A música de Fred é um sucesso segundo um monte de gente. Um sucessão. As suas faixas são dançantes de tal forma que o corpo não obedece ao comando do cérebro, mas ao impulso das batidas elétricas sequenciadas numa história divertida, kind of neurotic, ingênua, intrigante e cheia de frufru. Agora imagine se isso fosse uma receita de bolo. Um bolo pictórico. Poderia ser um bolo de bala valda, sim, algo que a imaginação faz força pra alcançar.
Mas existe, é claro que existe.
.
.
.
----------
(Este texto foi escrito em 2024 para a antiga Newsletter Beta)
Nenhum comentário:
Postar um comentário