Café é poesia na sua mais completa magnitude e você não pode discordar. Discordar de mim pode mas não pode discordar do café tampouco da poesia.
Essas cafeteiras italiana vintage são a maior prova de amor entre a poesia e o design.
Via: BarlafusShop
Essas cafeteiras italiana vintage são a maior prova de amor entre a poesia e o design.
Via: BarlafusShop
Falo grego fluente
e não só com os vivos.
Dirijo um carro
que me obedece.
Tenho talento
escrevo grandes poemas.
Escuto vozes
não menos do que os veneráveis santos.
Vocês se espantariam
com a minha performance ao piano.
Flutuo no ar como se deve
isto é, sozinha.
Ao cair do telhado
desço de manso na relva.
Respiro sem problema
debaixo d'água.
Não reclamo:
consegui descobrir a Atlântida.
Fico feliz de sempre poder acordar
pouco antes de morrer.
Assim que começa a guerra
me viro do melhor lado.
Sou, mas não tenho que ser
filha da minha época.
Faz alguns anos
vi dois sóis.
E anteontem um pinguim
com toda clareza.
(Imagem da obra girl with the red hat de Vemeer van Delt, via)
Minhas maiores lembranças são das ruas por onde passei caminhando com o objetivo único de olhar
olhar tudo só olhar olhar e perceber o que me forçava a apertar o passo ou diminui-lo
lembro bem do restaurante onde jantei duas noites seguidas e na segunda me senti filha da casa distribuindo um meio sorriso charmoso aos comparças
lembro da cafeteria que ficava em frente ao prédio onde tomei café de forma exagerada só pra fazer render a intimidade
Conheci um fotógrafo muito gente boa que além de ter registrado o meu espírito de mulher livre-nostálgica-solitária em Buenos Aires me levou para conhecer lugarzinhos secretos bem do jeito que eu gosto
Foi tudo tão bom ao ponto de me fazer acreditar que acordaria de manhã falando espanhol, mas a verdade é que todas as experiências daquele ano tiveram o frescor bom das descobertas, como se uma cortina se abrisse aos poucos e o segredo fosse finalmente revelado, ou quando você se dá conta de que é capaz de fazer muito mais para além do que o medo permite.
Ou quando você se vê sozinha, entre milhares de outras pessoas também sozinhas, e percebe o grande movimento que é feito no movimento de cada pequeno passo.
O ano era 2017 livre como uma passarinha.